sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Saudades de um miracemense/campista

Conversa bem interessante esta manhã, com um conterrâneo meu, Alfredinho, que andou ensaiando uns toques de bola quando jovem, nas peladas do ginásio e nos treinos do Vasquinho, mas não era lá estas coisas e, como saiu cedo da "terrinha" ele mesmo diz "ninguém reparou em mim no tempo que joguei futebol" e, como ele mesmo ensaiou as palavras, não seria eu a dizer que ele era ruim demais para ser notado. 

Mas Alfredinho se mostrou bem por dentro do nosso tempo de futebol, lembrou da zaga do DER, que batia até na alma, e foi por aí que começou um bom papo de bola no Centro de Compras da Pelinca, bem próximo ao bar do amigo Tovinho Bereta, um dos melhores da região. Fredo, como hoje é conhecido na Pelinca, dizia que eu e Neymar temos muito em comum, no que eu assustei com a comparação ele emendou: 

- Nem pense que a comparação é no futebol jogado, longe, muito longe disto, disse ele já dando uma sonora gargalhada, vocês dois tem o mesmo estilo cai... cai... e ambos fogem das botinadas, aliás, ele completa, você era meste nisto e com muita razão, enfrentar aqueles botinudos lá de Miracema não era fácil, arrematou Fredo. 

E era assim mesmo, diziam na época que eu pipocava e o Neymar? Diz aí você que é fã do craque do PSG, ele pipoca ou é mesmo cai... cai...? Eu fico com a minha opinião, que é a mesma do tempo em que eu jogava, a turma bate demais e o craque tem que fugir para não se deixar quebrar. 

E aí o papo rolou com intensidade, Alfredinho, ou Fredo, fazia comparações do nosso futebol com o de hoje, fiquei surpreso com tantas boas lembranças de um cara que já saiu da terrinha há mais de quarenta anos e que pouco voltou por lá, nosso encontro se deu apenas porque um amigo comum, jornalista, me viu no local e o levou para ver se o cara me conhecia. 

- Dutra, trouxe aqui um conterrâneo seu e ele me irá provar, ou não, se você realmente jogou futebol, disse Tinoco. E, logo na apresentação houve este diálogo, mostrado no primeiro parágrafo, que deixou o intermediador do encontro fora de órbita, afinal o moço de Miracema, além de mostrar que sabe muito do assunto futebol de Miracema, como conhece a turma toda da terrinha. 

E lá foi Alfredinho fazendo suas comparações: - Vi Geraldinho jogar e prefiro ele ou Casimiro, e o Thiara, ainda mais veloz que o Wilian e teria lugar na seleção brasileira, mas craque mesmo era o Júlio, na seleção do Tite não tem ninguém melhor do que ele, o filho do seu Zé Barros. 

Se ficar aqui contando nossa prosa vou ficar três ou quatro colunas narrando nosso papo, e por isto fico por aqui e prometo que se encontrar novamente com ele, o Fredo da terrinha, vou continuar a conversa e lembrar de mais detalhes desta da semana que passou. Combinado?
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Doce lembrança de um amargo episódio político

A gente vai ficando mais velho e o tempo nos faz entender muitas coisas, as descobertas são interessantes e surpreendentes, como esta amarga lembrança de um dia de eleição, na minha Miracema, no meu espaço favorito, a Praça Ary Parreiras, e no meu lugar dos sonhos, minha casa e o bar do meu avô Vicente Dutra. 

O tempo passa e aos poucos vamos descobrindo nossos traumas, nossas certezas e motivos diversos para diversos bloqueios em nossa memória e em nossas decisões, que poderiam ser importantes para nosso futuro, aqui no caso o passado, mas tudo tem seu tempo certo, já dizia o já saudoso Tito Madi, até tempo para amar, crescer, brincar e fazer a vida muito mais interessante para todos nós. 

Com a aproximação do dia da votação para Presidente, Senador, Deputado e Governador, marcada para o próximo domingo (07/10) e com a onda de saudade que me invade o coração nestes últimos meses, acho que o longo tempo, seis meses, sem ir a "terrinha" me deixa triste e saudoso, me vem a cabeça e a mente um episódio que me marcou muito, de forma decisiva, e que influenciou bastante para que eu me afastasse de todo o movimento político em minha juventude, fase adulta e agora, na chamada terceira idade, ainda me abate e me deixa de fora dos movimentos eleitorais. 

Sempre me vi envolvido com os políticos da cidade, nos anos 60 tive o privilégio de ser o garoto de recados da Câmara de Vereadores, naquele tempo formada pela nata da sociedade do município e por homens dignos de serem chamados de representantes do povo, não cito nomes para não cair no esquecimento e deixar passar um dos grandes políticos da cidade, mas não há como esquecer de Jofre Salim, Antônio Laureano, Armando Azevedo, Nilo Ronzê, Nilo Lomba, Jamil Cardoso, José Carvalho, Salim Bou-Issa, entre tantos outros ilustres miracemenses que me deram motivos para que um dia me tornasse um deles. 

Altivo Mendes Linhares, o grande líder, era frequentador assíduo do Bar do Vicente Dutra, amigos pessoais e até se chamavam de parentes, não sei se havia ou há parentesco entre eles, mas o Capitão foi um dos meus incentivadores. "Ele leva jeito, Vicente", dizia o prefeito quando me via na Prefeitura fazendo algum trabalho para os vereadores ou para os Juízes do nosso fórum, que também tinha sede na Praça Ary Parreiras. 

Porém, tem sempre um porém, uma briga generalizada, iniciada nas mesas do nosso bar, por pessoas sem qualquer visão de liberdade de expressão ou democracia, foi para as ruas e se tornou uma verdadeira batalha campal, felizmente sem vítimas fatais.

Briga iniciada em uma distribuição de cédulas eleitorais, naquele tempo se votasse por cédulas, quando um cabo eleitoral não aceitou troca de suas cédulas pelas do adversário, e ali começou a "guerra" e meu descontentamento com a política e com os puxa saco dos políticos. 

Hoje, pelas redes sociais, eu revejo aquela briga generalizada, iniciada pela falta de respeito com a opinião alheia, e me sinto pequeno e impotente para conter, como naquele ano da década de 1960, e. novamente digo que a política não é minha praia e não me cabe nas manifestações pelas ruas e muito menos, nos tempos modernos, nas redes sociais. 

Não sei se a política perdeu um grande figurante ou se eu ganhei em não ser um destes criticados e odiados, mas amados por meia dúzia de correligionários dispostos a fazer de tudo para vê-los no poder e, quem sabe, em algum momento usufruírem um pouco do mandato eletivo daquele que ajudaram a eleger? Eu tô fora de todo movimento e me sinto bem assim, política é para quem gosta e quem sabe faze-la com elegância e sabedoria, mas isto é coisa para uma grande minoria. Certo? 

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...