segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Aos mestres, com carinho

Certa vez, conversando com meu velho amigo João Batista Alves, filho do professor Ulisses Alves, ele me perguntou se eu tinha saudades do tempo de colégio,  eu disse que sim e que até já havia escrito uma crônica falando das minhas professoras e me senti feliz por que recebi, de várias delas, ainda entre nós, felicitações sobre o texto e agradecendo a citação dos nomes delas. 

- Certo, disse João, mas você não contou sobre o tempo do colegial, sobre suas passagens pelo Nossa Senhora das Graças e Miracemense, não tem saudade de seus professores daquele tempo? 

Claro que sim, e muitos deles me proporcionaram boas lembranças e tenho, praticamente, uma história para cada um destes mestres que deixaram seus nomes na história da educação miracemense, mas antes, lembrando aos amigos que tive também uma temporada estudando em Pirapetinga, no colégio de lá, levado pelo seu diretor, João Domingues, por ter tido problemas na minha cidade natal. 

Entrei no ginásio em 1962 e tive bons professores, como José Maria Machado, um homem culto, inteligente e totalmente voltado para educação da juventude miracemense, foi meu professor de inglês e em suas aulas, para entendermos melhor a língua de Shekespeare. o pensador e escritor da terra da rainha, e quantas músicas aprendemos na língua original e isto me deixa até hoje com uma pronúncia até certo ponto audível nas minhas viagens pelo exterior. 

Me lembro bem do professor Darcy Aníbal, que depois se tornou meu amigo e meu irmão fraterno. Seu Darcy, assim o chamei por muitos anos, foi professor de desenho da minha primeira turma e seu silêncio quebrava nossa bagunça e sua postura transformava toda a movimentação em atenção a sua aula e a sua presença física. Um mestre que deixou saudade e, como José Maria Machado, um dos incentivadores da cultura e das artes. 

Bate a saudade quando lembro do professor Álvaro Lontra e suas aulas de geografia, minha mãe cobrava demais minha atenção e um dia eu cheguei à casa e falei que teria prova oral com o Seu Álvaro, minha irmã, Eliane, chamou mamãe e disse para me fazer decorar três pontos passados porque o professor gostava disto e a prova seria assim. Escolhi um e coloquei na ponta da língua, e, por sorte, este foi o escolhido. Nem precisa dizer que ganhei 10 e um elogio do mestre Álvaro Lontra. 

Só para completar meu pensamento sobre este grande mestre conto aqui uma passagem do professor Álvaro Lontra, que gostava de colocar para fora de sala aqueles alunos que o irritavam com conversa ou bagunça. 

Certo dia, na chamada, acredito que ele estava "virado" e ao ler os três primeiros nomes da ele mandou: - Adilson Picanço Dutra?  eu disse presente, e ele, "fora". Antonio David Resende? Presente, gritou David, "fora", mandou o mestre, Antônio Miguel Anselmo Miranda? Presente. "Fora", arrematou seu Álvaro dizendo: "Quem mais quer sair?" Grandes momentos, grandes lembranças. 

E por falar na família Lontra vem a lembrança do outro, o professor Carlos Lontra, meu mestre em português no Miracemense e no Nossa Senhora das Graças e é de lá, no Cenecista, que tenho uma excelente passagem com ele, em 1968, quando eu servia ao Exército Brasileiro, leia-se Tiro de Guerra 217, e naquela quarta-feira tínhamos uma prova e eu não estava preparado para tal. Um sufoco danado, lembra disto Léa Vidal Sales? 

Sai de casa preparado para dar um "golpe" no professor Carlos Lontra, não estudei nada e precisava de pontos para passar sem precisar de nota na prova final, mas como fazer? Pensei bem e vesti a farda do TG, botei o capacete e levei até o sabre para a aula, que era à tarde, com o sol batendo na sala de aula e, como era depois do almoço, eu disse a Léa.

- Vou fingir que estou dormindo e você, por favor, quando seu Carlos passar você diz que estive de plantão à noite inteira e saí de lá do TG só para fazer a prova, combinado? 

A amiga aceitou e só não contava que eu adormeceria de verdade, e, quando o professor Carlos Lontra chegou, dizem que eu até babava, e o mestre ficou com pena de mim e me deixou dormir até quase o final da aula. E então, quando recolhia as provas, me falou. 

- Rapaz, você serve a pátria e merece um pouco de descanso, você precisa ir para casa, dormir direito. 
- E como é que fica esta prova, não fiz e preciso de nota, disse-lhe na maior cara de pau. 

- Não se preocupe, vai levar um dez e nem precisa pedir na secretaria para marcar outra prova para você, admiro o Exército Brasileiro e a bravura dos seus homens.  Bradou o patriota Carlos Lontra. 

E por falar nisto tenho uma outra passagem, com o professor de Contabilidade, Genserico Câmera Castro, o Seu Nézio, grande mestre dos esportes e das matérias sobre a contabilidade, afinal era um baita treinador de basquete e futebol, enxadrista de alto nível e contador respeitado na cidade. 

Seu Nézio era um apaixonado pelo Tupã EC, foi um de seus primeiros treinadores, e eu jogava no time principal, treinado pelo Maninho, e em um dia de prova, não sei se era final ou não, eu me machuquei no treino, tive uma luxação no pulso, e à noite, na hora da prova, enfaixei bem e fui para a aula disposto a não fazer a tal prova, também não estava muito bem preparado. 

Ao distribuir as provas pelas carteiras o professor Nézio viu minha mão enfaixada e perguntou se eu era destro ou sinistro. Eu quase que me dei mal, não sabia o que era sinistro, achei que ele queria saber se eu era perigoso no futebol, para quem não sabe "sinistro" quer dizer canhoto na linguagem correta. 

Mas vamos ao causo, que é o que interessa, e quando eu disse que era destro ele me disse que não precisaria fazer a prova. - Quem joga no Tupan tem preferência do professor, machucou no treino então não precisa fazer a prova, vou repetir a sua nota da prova passada, tá bom? 

Claro que estava, tirei oito na última prova e com mais oito dava para completar os pontos necessários para passar sem prova final, que foi o que aconteceu, poque eu era bom na matéria e o professor ótimo para ensinar, aliás e a propósito, eu sempre o admirei e sempre fui seu pupilo no basquete do Miracemense. 

E são muitos os causos e as histórias sobre meus mestres queridos e admirados, professor Jarbas Pinheiro, homem inteligente e educado, trabalhava muito e quando chegava à noite, nas últimas aulas, a gente sabia que o mestre já estava cansado e puxava assunto sobre Palma, onde naquele tempo eu jogava pelo campeonato da cidade, e perguntava por alguém de lá, que o Inkler me dizia que era amigo dele, e aí, meu caro, o tempo passava e ele, quando percebia, via  a sineta tocar e o tempo acabar. 

E para o final deixei o mestre Ulisses Alves, excelente professor de português, acho que foi ele que me incentivou a ser mais rigoroso com a escrita e a fala em nosso idioma, me cobrava muito e tenho uma passagem interessante com ele, nunca fui aluno de NOTA DEZ, as vezes, no máximo, atingia um oito ou sete, e em uma das provas, no segundo ano ginasial, fiz com perfeição porque não queria repetir de ano mais uma vez, e botei em prática tudo aquilo que estudei com muita intensidade. 

Era prova para um dez, com toda certeza, mas escorreguei em alguma coisa e poderia me contentar com um nove e meio ou nove. E, para minha surpresa e para minha raiva, o professor Ulisses me chamou, dois dias depois, no gabinete. 
- Adilson, diz a verdade, você colou da Teresa Maria, não é mesmo? Sua prova está muito parecica dom a dela. 
- Claro, professor, ela é aluna de nota dez e me ensinou muito nestes últimos dias, se o senhor botar a cabeça para funcionar, dizia eu, vai lembrar que eu lhe pedi para me sentar bem na frente, longe da Teresa Maria e das meninas mais capacitadas do que eu, justamente porque eu sabia tudo e tinha certeza de que faria uma boa prova. 

- Está certo, rapaz, você realmente sentou-se bem longe de todos, me lembro bem, e não tenho o que duvidar de você. Parabéns, continue assim, você tirou nove e meio por uma bobagem apenas, me elogiou o mestre Ulisses Alves. 

Claro o tempo passou e tudo mudou mas a saudade destes caras maravilhosos ainda é muita, principalmente porque não temos mais as suas presenças físicas neste nosso mundo. Um fraterno abraço a todas as famílias dos citados e que todos eles estejam ensinando suas artes no plano superior. 

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O bar, a praça, os homens e suas histórias

Um dia, na nossa Praça Dona Ermelinda, no que chamo de "Triângulo das Bermudas", aliás um dos vértices deste triângulo, me perguntaram: 
 - Adilson, como você sabe tanto da história de Miracema e de sua gente? A resposta é simples, minha infância e juventude foram vividas dentro do reduto político e jurídico da cidade, ou seja, fui criado na Praça Ary Parreiras, 174, onde funcionava o Bar do Vicente Dutra. 

- Ah! Muita gente nova não se lembra do Vicente Dutra e por isto você tem que explicar na sua coluna esta história do bar e de seus frequentadores, diz meu interlocutor, nós aguardamos porque eu sou um destes que não conheceu seu avô mas sei quase tudo que aconteceu por lá e pelos arredores, meu pai frequentou o lugar por muitos anos. 

Certo, além do pai do amigo e de outros não famosos mas nem por isto não importantes para mim e para nossa família, ali pelo nosso bar passaram figuras ilustres da cidade, por exemplo, como já contei por aqui, Altivo Mendes Linhares um dos ícones da cidade cuja história se confunde com a de Miracema, na sinuca do vovô fazendeiros, empresários, comerciantes e uma grande parte da sociedade miracemense fazia ponto diariamente. 

Era um lugar decente, por ali não havia confusão, só me lembro de uma briga generalizada, que começou em uma das meses do bar mas que foi terminar lá fora e nem uma cadeira sequer foi quebrada, até os bebuns respeitavam Vicente Dutra e família, este problema, principalmente em dia de eleições, quando aconteceu a tal briga, geralmente acontece nos melhores estabelecimentos. 

Ninico Moreira, aliás, Antônio Carlos Moreira, um dos mais importantes homens públicos da cidade, era frequentadorcdo lugar e me cansei de ouvir suas prosas com políticos e gente iluste acompanhado de um bom cafezinho, as vezes servidos por mim com objetivo de ouvir a voz tranquila e doce de Seu Ninico, dono de um dos cartórios no Forum, que funcionava na Prefeitura em frene ao nosso bar e aí, você que não conheceu meu avô, fica sabendo o porque o lugar era estratégico, em frente ao ponto nervoso e centro político do município. 

Aos domingos, dia de missa, minha caixa de engraxate era bem frequentada, e os fazendeiros famosos, como Clóvis Tostes, Evaldo Assumpção e seu irmão Cid, eram meus fregueses e e contavam histórias que eu gostava de ouvir e seu Altamiro Soares de vez em quando aparecia e narrava com detalhes suas viagens espetaculares, como a que ele e outros amigos fizeram a Inglaterra durante a Copa do Mundo de 1966. 

Prefeitos, vereadores, juízes de direito e ilustres advogados, como José Danir Siqueira,  quando vinha a cidade, faziam do balcão do bar e seus bancos um lugar de conversa e eu ali, ouvindo atentamente, como se quisesse aprender alguma coisa e por isto hoje, passado mais de cinquenta anos, ainda tenho estes causos, estas histórias, estas prosas, guardada no fundo da memória e muitas delas eu conto por aqui com muito prazer. 

Os prefeitos José de Carvalho, Jamil Cardoso, Altivo Linhares e Salim Bou-Issa eram amigos pessoais do meu avô Vicente e do meu Pai, Zebinho, Jairo Tostes nos chamava de primos, e todos eles tinham livre acesso a nossa varanda onde as vezes promoviam reuniões com seus secretários, José Carvalho e Salim tiveram o mesmo secretário de gabinete, Télio Mercante, o Ferrugem, temido comedor de bombocados, ao lado do irmão Joel, o Vandinho Mercante, que quando chegavam no estabelecimento o vovô até escondia os pratos de doces, mas esta é uma outra história. 

Volto ao tema, com mais um capítulo desta história, afinal ainda falta contar as visitas constantes do Chiquinho de Freitas, do Jofre Salim e das manhãs de sanfona do Bem David e o respeito e o medo que Adão Paraoquena tinha do Vicente Dutra, e nestes anos todos jamais ouvi dizer que o velho teve um inimigo ou alguma desavença com um destes seus fregueses. 

E eu não contei que os padres holandeses, que todos da minha geração ou mais antigos, Alberto, Luiz, Antônio ou André eram amigos de minha avó Maria e frequentadores de nossa cozinha para "filar" um almoço ou um quitute. 

A vizinhança era de alto nível e todos, sem exceção, eram amigos e muitos não frequentavam o bar, mas com toda certeza eram clientes especiais dos salgados, doces e dos refrigerantes e cervejas para o final de semana. 

Nenê Braga não passava um dia sem dar uma escapulida por lá após terminar o serviço na fazenda e um traçado era servido em um copo especial, Deoclides Correia, nosso sapateiro mor, era outro vizinho assíduo como foram Washington Torres, Fisíco, Jorge Pela Égua, e todos funcionários da retífica. 
Volto em outra coluna, combinado? 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A caixa de som que enlouqueceu o Armazém

São divertidas as noites de sexta-feira no Armazém, principalmente nos dias de visita do ilustre jornalista Ermenegildo Sollon, que dá um toque mais clássico na conversa, sempre com um tema diferente a cada chegada do meu guru à cidade e ao Armazém. 

Na última semana, por exemplo, o assunto foi música, mais precisamente os boleros, das grandes serestas que Sollon participou na Lapa, no Rio de Janeiro, ou na Rua Direita, em sua Miracema. Bolero também é a marca registrada do Carlinhos, nosso novo integrante do grupo de veteranos do Armazém, apaixonado pelo Trio Los Panchos e por Eidye Gormé. 

Canário, sempre irreverente, leva seu som e me pede para que ligue o bluethooth para que a mesa seja "abençoada" pelos boleros de Bienvenido Granda, Lucho Gatica e outros latinos "reis do bolero". E aí, o novo companheiro, Carlinhos, manda a sua primeira pérola para o grupo.

- Ontem eu recebi um zap falando da história do bolero "El Reloj", é linda e o autor foi supimpa na sua letra aproveitando o gancho de que sua esposa, adoentada, tinha apenas poucas horas de vida, e aí, sentado à mesa na sala de espera, escreveu os versos da canção de forma extraordinária. Contou o nosso novo integrante da turma do Armazém. 

E não contente com o relato, Carlinhos resolveu entoar um trecho do bolero, e cantou em bom tom, em português, claro, porque o amigo não domina o espanhol. 
- Relógio não marque as horas, porque eu vou enlouquecer... 

E no mesmo intante, o irônico Canário completou com um trecho de outro bolero.
- Espere um pouco, um poquinho mais... Nélson Ned, cantou Canário quebrando o clima de tristeza que Carlinhos estava provocando. 

Um riso só e mais pedidos de música na caixa de som, boleros incríveis apareceram e eu, comandando tudo no celular, através do aplicativo Sportfty, mandava todos os pedidos musicais como se estivesse em um parque de diversões, aquele que já contei aqui que fui locutor oficial. 

Lenílson, fã de Teixeirinha, pede Coração de Luto, Dudu, que idolatra Lulu Santos pede aquela que o surfista quer ir para Califórnia, todo mundo sendo atendido, se não tem no Spotify tem no You Tube mas ninguém fica sem ouvir a sua música na sexta musical do Armazém. 

Marcão pede os sambas de autores campistas, como Roberto Ribeiro, e assim a gente vai levando a noite, que parecia ter acalmado depois das emoções vividas por Carlinhos em sua primeira sexta de música no Armazém.  Motta, amigo pessoal de Sollon, botou água na fervura ao pedir "bota aí aquele cantor campista, que fez sucesso nos anos 60.

Paulinho, o veterano dos veteranos, já deslumbrado com a máquina de música, foi ao banheiro e  na passagem falou para Lenílson: - Quero ver esta maquininha tocar Ataíde Dias, aquele samba do Escurinho. Se tocar eu pago a rodada de cerveja. 

Sollon, que voltava do banheiro, ouviu e me contou sobre o pedido do velho Paulinho. Então chamei o Motta, que ficou preparado para aumentar o som da caixinha, e eu perguntei ao amigo quando ele retornou :

- Velho Paulinho, em respeito aos seus cabelos brancos tem a preferência de pedir a música neste momento. Vai querer ouvir quem e o qu?  Um bolero ou um tango? 
Já meio cabreiro e querendo me desafiar e aos aplicativos, Paulinho foi direto ao que havia comentado com Lenílson. 

- Quero ouvir "Escureceu" com Ataíde Dias, e duvido que tenha neste treco aí. 

Antes mesmo de falar a última palavra a música já estava tocando e Ataíde Dias abrilhantava a noite do Armazém, mas Paulinho saiu as pressas, sei lá se com medo ou com raiva, mas esbravejando;

- Esta coisa é do capeta... esta caixinha é do diabo... ela lê pensamento, eu vou embora daqui antes que eu fique louco. E saiu correndo em direção a sua casa. 

Não sei se foi a cerveja, o conhaque ou se foi mesmo o medo da caixinha de som, só sei que já chegávamos a meia noite e era hora da turma de reunir para a última rodada e caçar rumo de casa, afinal já não era mais sexta-feira. 

sábado, 2 de setembro de 2017

Um time de estrelas que brilham no céu

Este final de semana, claro que no Armazém, falamos de saudade de amigos que nos deixaram cedo demais, isto porque alguns amigos meus, que gostam do futebol, queriam saber quem foi Chiquinho de Assis, recentemente falecido, e se ele era realmente de Miracema, como amplamente divulgado no noticiário esportivo brasileiro quando de seu falecimento, ocorrido em Miami, Estados Unidos. 

Dai fomos levados a várias recordações, jogadores de Americano e Goytacaz, precocemente desaparecidos, ou de outros, de gerações passadas, que nos deixaram na velha e irremediável passagem do tempo. Lembravam um campista e eu me recordava de um miracemense, Cacado falava dos seus ídolos e eu dos meus amigos, e fomos nós, formando seleções dos que hoje atuam no céu,comandados por algum "santo" e eu, no pensamento, achava uma seleção que poderia ser comandada pelo Maninho, o nosso Alcir Fernandes de Oliveira. 

Fui puxando pela memória e, para dar certeza de que perdi muitos amigos antes da hora combinada,  já começo pelo goleiro, e o escolhido foi Paulinho, um paduano que foi "importado" pelo Vasquinho e que gostou tanto de Miracema que por aqui ficou, formou família e, em um desastre automobilístico, nos deixou precocemente. 

E minha zaga, ou melhor, a zaga do Maninho, no time do Céu, teria Evandro Monteiro, na lateral direita, Valdir (Augusto de Souza) e Batista Leite na formação da zaga, dois estilos diferentes que se completavam quanto juntos atuavam, o Xerife e o clássico teriam tempo de vida maior e estariam jogando nos veteranos até os dias de hoje, e, completando o quarteto defensivo o Vilmar Bastos.

Um grande meio campo, cujos integrantes nos deixaram muito cedo, Romário Tostes, o Herança, Ariel Viana, e, formando o trio de meias convocamos o filho do Maninho, Silvinho, clássico e velocista para distribuir as jogadas para Neném, na direita, Pintinho, na esquerda, que com toda certeza achariam Chiquinho para completar para as redes seus cruzamentos perfeitos. 

Paulino, Evandro, Batista, Valdir e Vilmar, Ariel, Herança e Silvinho, Neném, Chiquinho e Pintinho seria um time ideal nos nossos anos 60, na minha Miracema, mas hoje todos são estrelas no céu e saudade em nossos corações e, aqui no meu espaço, cujo objetivo sempre foi valorizar o que é nosso e relembrar as personalidades da terrinha, faço minha homenagem a estes onze amigos da bola e da vida e com eles homenageio a todos os companheiros que nos deixaram para viver no Oriente Eterno. 

Claro que escalaríamos diversos times, relembraríamos diversos amigos que nos deixaram antes da hora combinada, mas do goleiro ao ponta esquerda, passando pelo nosso treinador, deixo aqui o meu grande reconhecimento a todos estes talentosos jogadores, amadores, que sempre honraram e dignificaram as camisas dos nossos times da nossa Miracema, a todos os craques que um dia formaram conosco e hoje formam no time lá de cima, o nosso reconhecimento e a homenagem do blog e da coluna. 

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...