segunda-feira, 26 de outubro de 2009

HISTÓRIAS DE FLAMENGO E BOTAFOGO

Domingo de Botafogo x Flamengo é dia de reunião de família, lá na “terrinha” e de grandes emoções em outros lugares deste imenso país do futebol. Arthur Emílio e Rafael, pai e filho, botam o retrato do velho Olavo na parede e pedem proteção a todos os santos que passarem no momento das orações. Maria Celeste prepara o tira-gosto, que muitas vezes não é servido tal é a tensão na varanda do quintal da Rua Nova.

A cerveja, que chega geladinha lá do armazém do João, volta prá geladeira à espera de um gol do Fogão, que sempre é comemorado de joelhos com pai e filho abraçados como se fosse um agradecimento ao Olavo, que lá de cima olha por filho e neto com aquele olhar de quem passou por aqui e viveu momentos bem melhores com o seu Botafogo.

Domingo de Botafogo x Flamengo é dia de tirar do armário a camisa de Mauro Galvão, presente que Marquinho ganhou do afilhado de casamento e que até hoje guarda para ocasiões especiais. Hoje, domingo, não tem jogo decisivo e não é jogo especial, mas para Sebastião Marcos, meu afilhado, lá em Sto Antônio de Pádua, este jogo não é qualquer um e tem presença de estranhos em seu terraço lá no Dezessete, afinal o Zé Antonio está com o manto rubro-negro e quem perder é responsável pela conta da cerveja, pois a carne e os quitutes ficam por conta da Angélica.

Duas histórias e dois personagens distintos, mas a vida de flamenguistas e botafoguenses é contada assim em dia de clássico e, principalmente, quando este envolve fuga do rebaixamento ou decisão de título, e hoje um, Botafogo, precisa vencer para fugir da degola, outro, Flamengo, tem que somar pontos para se aproximar do Palmeiras, que deu bobeira no meio de semana e está na alça de mira dos perseguidores.

Daqui pra frente um relato dos clássicos maravilhosos entre Botafogo e Flamengo, que sem dúvida marcaram para todos nós, amantes do bom futebol, principalmente quando em campo estavam Nilton Santos, Dida, Garrincha, Didi, Zico, Júnior, Leandro, Manga, Raul, Paulinho Valentin, Zagalo, Henrique, Babá e tantos outros craques que passaram pela bela história destas duas maiores forças do futebol brasileiro.

Só deu Mané Garrincha - Se o Botafogo empatasse, adeus ao título carioca de 1962. Mas com um time daqueles (Manga, Paulistinha, Jadir, Nilton Santos e Rildo, Aírton e Édson, Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagalo), o alvinegro era favorito contra o Flamengo. Tarde de gala no Maracanã e o Brasil ligado na partida, que começou com uma investida fulminante de Dida, a bola raspando a trave de Manga.

A pressão rubro-negra durou até que Garrincha, ganhando de Jordan, chutou cruzado e rasteiro no canto, sem defesa para Fernando: 1 a 0. Aos 35min, Amarildo, mesmo com estiramento na coxa, toca para Garrincha, que dribla dois, cruza para Quarentinha que emenda para o gol: 2 a 0. O Botafogo estava à vontade, imprimia ao jogo um ritmo cadenciado, na base do toque. Aos 2 minutos do segundo tempo, Garrincha fecha o placar, 3 a 0. E tome festa alvinegra.

O jogo da forra - E a vingança veio, nove anos depois daquele 15 de novembro de 1972, pelo Campeonato Carioca. O primeiro gol foi aos 6 minutos de jogo: Nunes, emendando cruzamento de Adílio. Aos 27, tabela de Nunes e Adílio, a bola que estoura na defesa e volta para Zico fazer 2 a 0. O Botafogo não consegue passar do meio-de-campo. Aos 33, Lico aumenta, 3 a 0. Seis minutos depois, Adílio faz o quarto, escorando de cabeça uma falta de Zico. “Seis, queremos seis”, grita a torcida rubro-negra.

Quando a bola sobrava para Jairzinho, único remanescente do Botafogo vitorioso, a torcida silenciava em respeito aos 3 gols que fizera naquele dia. Aos 29 minutos, Rocha derruba Adílio na área, Zico bate o pênalti com raiva e converte: 5 x 0. Faltando 3 minutos, Adílio centra da esquerda, Zico sobe na área, Jorge Luís rebate para fora, mas na medida para Andrade, o camisa 6, que fulmina no ângulo esquerdo de Paulo Sérgio. O 6 a 0 estava devolvido.

domingo, 11 de outubro de 2009

DIA MAIS FELIZ DA PRINCESINHA

O ano: 84. O mês: novembro. O dia 18. O local: O evento: Botafogo x Fluminense. A competição: Campeonato Carioca de Futebol. A transmissão: Rádio Princesinha do Norte. O narrador: Adilson Dutra. O comentarista: Francisco David. Os repórteres: José Luiz da Silva e Welington Ronzê. O operador: Chiquinho Titonelli.
A razão: Primeira emissora do noroeste fluminense a transmitir, ao vivo, do Estádio Mário Filho. O responsável: Orlando Mercante da Cunha.

Dito isto, minha gente, não precisaria de mais nada para contar, porém, tem sempre um porém, foi o dia mais feliz de todos nós e para a Rádio Princesinha um momento inesquecível, não vou dizer que a audiência chegou a 100%, seria utopia, mas que aproximou dos 90% eu não tenho medo de dizer. Nossa festa foi total, desde a saída até a chegada, até certo ponto triunfal, e o dia seguinte, juro, foi de celebridade de novela ou de filmes de Hollywood. Não distribuí autógrafos, mas contei a mesma história centenas de vezes para uma mesma quantidade de pessoas que queria ouvi-la.

Foi bonito, emocionante e a aventura foi enorme, teve roubo do relógio do Welington, assédio da torcida querendo camisa da Princesinha, uma obra de arte criada pelo Orlando, a torcida cantando, para nós, aquela música da Blitz, que fala em Miracema do Norte. O Chiquinho fez sucesso com sua máquina de falar, ninguém acreditava que falaríamos do Maracanã com aquela maleta, enfim, teve choro, muitos gols, o Botafogo venceu por 4x2 aquele timaço tricolor, que tinha Washington, Assis e Romerito, e Baltazar, o artilheiro de Deus, foi o grande nome da partida, pelo Fogão, marcando dois dos quatro gols alvinegros.

O Zé Luiz e o Welington deram um show extra campo, com entrevistas maravilhosas, até João Nogueira, o famoso sambista, já falecido, falou com exclusividade para nós, e o presidente tricolor, Manoel Shuarthz, mandou abraço especial para os "leões" miracemenses. Uma festa que terminou no Porcão, de Niterói, onde pudemos largar a tensão da partida em várias tulipas de chope e de alguns quilos de carne.

Talvez eu conte mais em um outro dia, mas o que vale registrar neste momento é que aquele foi um dia especial e não tenho medo de dizer: O dia em que a Equipe de Esportes da Princesinha colocou seu nome no placar do Maracanã e na história do rádio interiorano. Tudo foi possível com o patrocínio de João Poeys Contabilidade, Posto do Carlos Roberto Correia, Wilson Marinho e Prefeitura de Miracema.

Brasil está vazio na tarde de domingo

Hoje é domingo e nós, boleiros amantes de um bom futebol - pode até ser uma pelada, né mesmo? - estamos tristes com este domingão vazio, mais parecendo um daqueles dias de dezembro, vésperas de Natal, quando a bola para de rolar e a gente fica assim como se estivesse faltando alguma coisa em nossas vidas.

Ah, tem jogo da seleção brasileira logo mais! Me diz Júnior, do armazém do Lenílson. Certo, mas contra a Bolívia, lá nas alturas, com o time desfalcado, ainda bem que tem Adriano prometendo gols. É um joguinho que não vale nada, nem mesmo para os bolivianos. 

Não tem nem uma peladinha pela segunda divisão por aqui, já que a Ferj colocou o jogo do Goytacaz, no Arisão, ontem, contra o Nova Iguaçu, justamente no horário de Flamengo e São Paulo, que passou na tevê e os bares ficaram lotados e o a Rua do Gás até que teve um bom movimento. Esta turma alvianil é mesmo fanática pelo Goytacaz, benza Deus.

Hoje pelo menos é dia de lembrar alguns lances do meu tempo de rádio, lá na "terrinha", quando fazíamos o impossível para levar até a turma do esporte alguma novidade. E foi justamente em um jogo destes, pelas Eliminatórias, no Morumbi, que a Princesinha fez sua estréia fora do nosso território. 

Brasil x Bolívia, no Morumbi, e lá estava este repórter fazendo entrevistas e procurando Telê Santana, o treinador brasileiro que não gostava muito de falar fora da coletiva. Fui ao seu encalço e no caminho encontrei o zagueiro Mozer, que dois anos antes esteve em Miracema, com a seleção de juniores do Rio, e papo vai, papo vem o pedido de ajuda para falar com Telê chegou no momento certo.

No princípio o treinador se esquivou, mas quando soube que nossa cidade era menor do que sua Itabirito, em Minas Gerais, ficou com dó do repórter, sentou-se a meu lado, no balcão do bar do Hotel Brasilton, e falou durante meia hora para a Rádio Princesinha, com exclusividade, contando coisas que jamais havia contado, segundo ele, nos microfones brasileiros. Um papo que poderia estar gravado, mas este país sem memória não cria hábito entre seus profissionais, de criar ou resguardar acervos ou museus.

Brasil e Bolívia, no ano passado, foi a minha estréia no Engenhão, este belo estádio que hoje é administrado pelo Botafogo. Foi um passeio e tanto. Véspera de minha viagem a Europa e lá estava eu, no Rio, com meu amigo Carlos Fernando Motta, a espera da hora de pegar o metrô, o trem e, na estação da Central, nos encontrarmos com o Roberto, pai do zagueiro Juan, nosso cicerone naquela noite de dez de setembro. 

O jogo? Acho que muitos não devem nem se lembrar, foi uma autêntica pelada e o torcedor se fartou de vaiar Dunga, que naquele período era odiado por todos nós, inclusive os que hoje batem palmas para ele.

Hoje não tem nem mesmo um joguinho pelos diversos campeonatos europeus, sempre presentes na Band, Esporte Interativo, Espn, Sportv e outros canais que mostram o futebol do velho continente. Hoje não tem jogos das Eliminatórias da Concacaf, não tem decisão de grupos europeus e mais nada, só Bolívia e Brasil, em La Paz, onde o tema principal dos nossos comentaristas, narradores e repórteres, que estiveram por lá, será a altitude e o temor de todos os jogadores em enfrentar este problema. Quem será o primeiro a cair? Quem será o primeiro a sentir tonturas? Garanto que não será Diego Souza ou Adriano, os dois estão com fome de bola e jogariam até em Marte para garantir um lugar na delegação que vai a Copa da África do Sul.

O jeito é pegar um disco, colocar na vitrola e cantarolar com Wilson Simonal: “Brasil está vazio na tarde domingo, né? E o sambão aqui é o país do futebol.”

Mas de futebol hoje não tem muita coisa, mas torcer pelo Brasil é sempre um bom programa, mas o pior, cá prá nós, é ter que agüentar o falatório destes caras, como já disse acima, sobre a altitude criminosa e não ver ninguém fazendo nada de prático para acabar com isto. Maradona parece que está disposto a mudar de opinião, será?

Hoje é domingo e nós, boleiros amantes de um bom futebol - pode até ser uma pelada, né mesmo? - estamos tristes com este domingão vazio, mais parecendo um daqueles dias de dezembro, vésperas de Natal, quando a bola para de rolar e a gente fica assim como se estivesse faltando alguma coisa em nossas vidas.

Ah, tem jogo da seleção brasileira logo mais! Me diz Júnior, do armazém do Lenilson. Certo, mas contra a Bolívia, lá nas alturas, com o time desfalcado, ainda bem que tem Adriano prometendo gols. É um joguinho que não vale nada, nem mesmo para os bolivianos. Não tem nem uma peladinha pela segunda divisão por aqui, já que a Ferj colocou o jogo do Goytacaz, no Arisão, ontem, contra o Nova Iguaçu, justamente no horário de Flamengo e São Paulo, que passou na tevê e os bares ficaram lotados e o a Rua do Gás até que teve um bom movimento. Esta turma alvianil é mesmo fanática pelo Goytacaz, benza Deus.

Hoje pelo menos é dia de lembrar alguns lances do meu tempo de rádio, lá na "terrinha", quando fazíamos o impossível para levar até a turma do esporte alguma novidade. E foi justamente em um jogo destes, pelas Eliminatórias, no Morumbi, que a Princesinha fez sua estréia fora do nosso território. Brasil x Bolívia, no Morumbi, e lá estava este repórter fazendo entrevistas e procurando Telê Santana, o treinador brasileiro que não gostava muito de falar fora da coletiva. Fui ao seu encalço e no caminho encontrei o zagueiro Mozer, que dois anos antes esteve em Miracema, com a seleção de juniores do Rio, e papo vai, papo vem o pedido de ajuda para falar com Telê chegou no momento certo.

No princípio o treinador se esquivou, mas quando soube que nossa cidade era menor do que sua Itabirito, em Minas Gerais, ficou com dó do repórter, sentou-se a meu lado, no balcão do bar do Hotel Brasilton, e falou durante meia hora para a Rádio Princesinha, com exclusividade, contando coisas que jamais havia contado, segundo ele, nos microfones brasileiros. Um papo que poderia estar gravado, mas este país sem memória não cria hábito entre seus profissionais, de criar ou resguardar acervos ou museus.

Brasil e Bolívia, no ano passado, foi a minha estréia no Engenhão, este belo estádio que hoje é administrado pelo Botafogo. Foi um passeio e tanto. Véspera de minha viagem a Europa e lá estava eu, no Rio, com meu amigo Carlos Fernando Motta, a espera da hora de pegar o metrô, o trem e, na estação da Central, nos encontrarmos com o Roberto, pai do zagueiro Juan, nosso cicerone naquela noite de dez de setembro. O jogo? Acho que muitos não devem nem se lembrar, foi uma autêntica pelada e o torcedor se fartou de vaiar Dunga, que naquele período era odiado por todos nós, inclusive os que hoje batem palmas para ele.

Hoje não tem nem mesmo um joguinho pelos diversos campeonatos europeus, sempre presentes na Band, Esporte Interativo, Espn, Sportv e outros canais que mostram o futebol do velho continente. Hoje não tem jogos das Eliminatórias da Concacaf, não tem decisão de grupos europeus e mais nada, só Bolívia e Brasil, em La Paz, onde o tema principal dos nossos comentaristas, narradores e repórteres, que estiveram por lá, será a altitude e o temor de todos os jogadores em enfrentar este problema. Quem será o primeiro a cair? Quem será o primeiro a sentir tonturas? Garanto que não será Diego Souza ou Adriano, os dois estão com fome de bola e jogariam até em Marte para garantir um lugar na delegação que vai a Copa da África do Sul.

O jeito é pegar um disco, colocar na vitrola e cantarolar com Wilson Simonal: “Brasil está vazio na tarde domingo, né? E o sambão aqui é o país do futebol.”

Mas de futebol hoje não tem muita coisa, mas torcer pelo Brasil é sempre um bom programa, mas o pior, cá prá nós, é ter que agüentar o falatório destes caras, como já disse acima, sobre a altitude criminosa e não ver ninguém fazendo nada de prático para acabar com isto. Maradona parece que está disposto a mudar de opinião, será?

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...