segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

UM FLA X FLU EM VIDEO TAPE

Domingo, dia internacional do futebol, e este escriba resolve atender a “patroa” e deixa o gravador no ponto, para gravar o Fla x Flu, e parte para Atafona para ver a maravilhosa Rita Lee. Duas medidas sensatas e decisivas para quem está evitando emoções. O show foi relaxante e, apesar da multidão, foi super agradável e sem problemas no entorno. O jogo foi eletrizante e com doses de emoções não recomendadas a um safenado. Fiz a troca certa.

Deixei o jogo gravando no DVD e parti para São João da Barra, certo de que não conseguiria meu intento, de ver o vídeo, sem saber do que acontecera no Maracanã. As tevês por assinatura se proliferaram entre nós e em cada canto deste país há um televisor ligado nestes canais pagos, que transmitem o futebol pelo Brasil inteiro.

Final de show, no Balneário de Atafona, e final de primeiro tempo, no Maracanã. O povo, saindo feliz da festa proporcionada por Rita Lee, tinha duas caras: Aqueles que envergavam a camisa tricolor, com orgulho, cantavam mais alto as músicas da musa do rock and roll. Por outro lado, os que vestiam, não tão animados assim, o manto rubro-negro, saíram de um jeito chororô do balneário. As feições da torcida mostravam uma possível derrota do Flamengo, na virada do primeiro para o segundo tempo.

Entramos no carro e o que não queria ouvir aconteceu: “O Fluminense está vencendo por 2x1”, me disse Lucinha, mãe de Karine, uma flamenguista apaixonada. É pode ser, respondi, ouvi três gritos de gols ali no Quiosque Posto 4. Mas não havia certeza, poderia ser 3x0 para um dos dois ou até mesmo 2x1 para o Flamengo. Os gols saíram, mas qual seria o placar do primeiro tempo? Não procurei saber, o vídeo estava em casa, me esperando.

O transito estava infernal no caminho para casa. A estrada São João da Barra x Campos, com 35 km do centro até a minha casa, foi atravessada em exatos 55 minutos, tempo suficiente para que o jogo do Maracanã se encerrasse e ouvir, no engarrafamento, um grito de Nense e uma ou duas bandeiras tricolores tremulando nos tetos dos carros.

- Perdemos o jogo, Karine. O Fluminense venceu o clássico e lidera o Grupo A da Taça Guanabara, comentei ainda ali em Cajueiro, onde o engarrafamento era pior.

Chegamos a Campos e o jogo, na tevê e no Maraca, ainda tinha alguns minutos, a tevê, ligada ali nas imediações do Braseirinho, perto da Uenf, ainda reunia em seu entorno algumas dezenas de torcedores. Mais um pouco a frente a multidão começava a se espalhar e isto era sinal que o jogo terminara.

Aumentei o volume da música, no rádio do carro, para não captar as emoções dos torcedores, mas o que vi, nas proximidades da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, me deu a certeza de que o Flamengo virara a partida.

Olhei de soslaio e vi uma bandeira rubro-negra nas mãos de um torcedor, em uma bicicleta, e disse para a Marina:
- O Flamengo virou.
- Como você sabe disto? Indagou Marina.
- Simples, ninguém sai às ruas, após uma derrota em um jogo como este, tremulando uma bandeira.

E ao chegar à casa, abrir uma geladinha e ligar a televisão, pude ver todo aquele espetáculo nas arquibancadas, no gramado e no vestiário, onde Andrade virou o jogo com duas alterações inteligentes e ousadas. Sacou Petkovic, que não jogou nada, e mudou o panorama da partida, e venceu, mesmo com um jogador a menos.

Isto é Fla x Flu, e, graças a Deus, o safenado ficou fora das emoções e foi colhendo informações extras para que o coração não sofresse um abalo durante os noventa minutos de um clássico extraordinário.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

JOVENS TARDES DE DOMINGO

A bola parou de rolar, na telinha da TV e o que era prá ser uma tarde de domingo esportiva, alguns bons jogos na, repetido, telinha da TV, e umas cervejinhas esperando no freezer da cozinha. Dei uma zapeada pelos canais da minha Sky e encontrei, na Globo News, o ótimo Chico Pinheiro e seu excelente Sarau, um programa que já faz parte de minha rotina e está sempre no ponto de gravação caso perca um dos capítulos.

Bem, e daí? Perguntaria o amigo. Sim, e daí encontrei Wanderléia e José Renato, aquele cara super inteligente do grupo Boca Livre, que faz um trabalho extraordinário em discos solo, como os que ele fez com músicas de Silvio Caldas, em Serestas, de Zé Kéti, com Sambas, e da Jovem Guarda, com o cd que levou o mesmo nome. Uma brasa, mora.

E daí, meu caro amigo, eu ouvi Roberto Carlos cantando “Jovens Tardes de Domingo”, que tem um refrão que marca o saudosista e quem vivenciou os belos dias e o velho tempo do tempo que não volta mais. “Velho tempos, belos dias”, não é mesmo? Então, será que o domingo do colunista foi o mesmo daqueles cantados em prosa e verso pela dupla Erasmo/Roberto? Claro que não.

“Hoje os meus domingos doces recordações. Daquelas tardes de guitarras, sonhos e emoções, o que foi felicidade me mata agora de saudade. Velhos tempos. Belos dias.”

Eu tentei, juro que tentei me conter e conter o choro. Sou realmente um “Zé bobão” e me derreto todo quando ouço as canções, não as que você fez prá mim, mas as que mercaram meus velhos tempos e meus belos dias.

Eu me lembro com saudade o tempo que passou. Do Grêmio, do Aero Clube, da Boate XV, que naquele tempo a chamávamos de Cabana.

O tempo passa tão depressa que não dá nem prá sentir saudades, mas deixou em mim um certo ar de quero mais, porém, tem sempre um porém, querer neste caso não é poder. Estes velhos tempos e estes belos dias deixaram em mim tantas alegrias e me lembro, você também deve se lembrar, de como as canções usavam forma simples prá falar de amor.

Erasmo e Roberto diziam “Carrões e gente numa festa de sorriso e cor”. Tudo bem, amigo, gente, sorriso e cor podia ser, mas carrões? Nem mesmo aqueles amigos mais abastados poderiam exibir nas jovens tardes de domingo lá na Santa Terrinha, não que fosse proibido, até que nem tanto, mas cadê os carrões?

Hoje os meus domingos são doces recordações, continuam os compositores de Jovens Tardes de Domingo, e não há nem mesmo uma alternativa de voltar a ter tudo aquilo em uma tarde só. Sonhos e emoções não são possíveis com Faustão comandando a festa, que saudade do Chacrinha, com o futebol dominando os finais de tarde e a obrigatoriedade do sucesso imediato faz com que os funks, os axés da Bahia e o falsificado forró nordestino ganhem espaço em todas as programações dos velhos domingos atuais.

O que um dia foi felicidade, diz Roberto Carlos na canção, me mata agora de saudade. Eu assinaria esta letra com o maior prazer. E você?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

EU NÃO VOU A MIRACEMA

Eu pensei em, mais uma vez, fazer o meu carnaval em Miracema. Apenas pensei.Depois de uma reflexão, colocando a mente prá funcionar, buscando um melhor ângulo de ver o que passou nos últimos anos, cheguei a conclusão de que ir para Miracema seria contraproducente. O melhor mesmo seria fazer como a grande maioria dos meus conterrâneos, buscar uma praia, como Guarapari por exemplo, e ficar na encolha por dez dias.

Tentando achar uma justificativa, já que assim exigia meu bom amigo Ermê Sollon, fui refazendo o caminho percorrido em 2009, narrando o que fiz nos quatro dias de folia por lá e o que tentei fazer, e não consegui, durante a minha estadia na Santa Terrinha.

Não há mais desfile de mascarados pelas ruas, o calor e falta de criatividade da turma fizeram este tipo de divertimento fosse quase banido das ruas da cidade, ainda há algum apaixonado ou uma criança, motivada pelos pais, que ainda enfrentam o sol forte e os gritos de “mascarado pé de pato, comedor de carrapato”. Legal, mas insuficiente para que eu volte.

Meu velho e bom amigo Calil Saluan Netto, presidente da Escola de Samba Unidos no Samba e na Cor, me dá a dica: “Vou botar a escola na rua e quero o seu apoio”. Fiquei comovido com o pedido e quase fui me inscrever para sair pela Rua Direita com as cores azul e branco da minha escola favorita. Mas, cá prá nós, bem baixinho, que ninguém nos ouça, meu tempo passou e da escola também, não dá mais prá segurar a onda e o que vi, no ano passado,não dá para acreditar que uma melhora acontecerá. Perdão, Calil, mas não vou, mesmo sabendo que a sua escola retornará após longos anos de ausência.

Em 2009 o Valdo César, irmão do Célio Silva, me informava: “Vamos botar na rua um carro só com marchinhas antigas e músicas autenticas de carnaval”. Bacana, fiquei esperando pelo carro, que passava de três em três horas, sem um pingo de emoção, e deixava um rastro muito pequeno em relação aos carros particulares, que passavam pela Rua Direita tocando funk e axé, em alto volume, e a galera fazia huuu e gritava histericamente. Não deu prá curtir legal, meu caro César, nem mesmo sentado à uma mesa da Kiskina, saboreando uma BOA, dá para suportar, aliás nem é bom lembrar, a kizumba por ali é de deixar qualquer fora de órbita.

Minhas irmãs, Eliane e Celeste, me diziam maravilhas sobre os blocos de embalo, aqueles dos bairros e de alguns abnegados pela folia, que sempre vem a Rua Direita animar a galera. Fomos prá rua para buscar uma novidade e uma coisa diferente para fazer passar o tempo e ganhar a noite, já que o dia fora totalmente perdido.

Começa, atrasado como sempre, o desfile destes blocos. Pobres foliões e foliões pobres demais para garantir uma fantasia decente e menos convencional. O bom de tudo foi o antes e o depois, quando encontrei com o Júlio Barros, meu grande amigo de infância, adolescência, juventude e da bola. O reencontro com o Careca, o Sérgio Roberto Nascimento, que sorria a cada comentário meu sobre o que via naquele desfile sem molho e sem tempero.
É, amigo, parece que é sério. O carnaval acabou e só eu ainda não tive a coragem de reconhecer. Não há mais a alegria de uma marchinha, isto não é privilégio de nossa terrinha, não há mais um samba bem tocada em cada mesa de bar, nem mesmo as escolas do Rio, as poderosas Beija Flor, Mangueira, Portela e tantas outras, também não fazem mais um samba como nos velhos tempos, hoje são executados em ritmo de marcha batida para que os milhares de foliões, que se aglomeram em suas alas, possam passar no tempo permitido pela Liga das Escolas.

Não dá mais prá segurar, vou buscar um novo rumo e sair por aí, como todos os mortais, para descansar no litoral capixaba, onde a certeza é uma só: Verei um punhado de gente tentando enganar os carnavalescos dizendo o mesmo que Valdo César me contou e que o Calil priorizou. Uma abraço e até a exposição, em maio, onde o reencontro

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

BOLO DE LINHA OU PONTAPÉ?

Neste mundo globalizado, até as apostas esportivas estão na Internet e espalhadas pelos quatro cantos do planeta, volto um pouco no tempo após receber um recado do meu guru, José Maria de Aquino. Um e-mail interessante, no qual ele conta uma passagem ocorrida em Miracema, na década de 50, quando uma aposta não paga criou um problemão entre seus amigos do futebol.

O Zé fala sobre um bolo, aquele que já chamamos de pontapé, e que desde aquele longínquo tempo já era febre entre os moleques freqüentadores das arquibancadas do estádio municipal ou entre aqueles que ouviam, no rádio, as transmissões do campeonato carioca de futebol.

Deixe o Zé Maria contar: “Jogo Vasco x Flamengo. Bolo de linha entre a molecada. Dez nomes em dez pedacinhos de papel. Caio com o Chico, gaúcho ponta esquerda do Vasco. Chance 0,001 de marcar, mas nada havia a fazer. E não é que deu? Vasco 1 a 0, gol de Chico. Procuro o professor para pegar minha grana. Surpresa: a aposta não valeu. A grana não viria para meu bolso. Explicação, dada por ele. "Ao marcar o gol o Chico estava correndo, deslocado pela meia", contou José Maria de Aquino.

Tá bem, meu caro guru, mas você não conheceu o Genuíno, filho do Olegário da Padaria, um baita craque de bola e apaixonado por uma aposta, seja ela um bolo de linha, um pontapé ou até mesmo a do pau a pau, onde você escolhe um adversário e deixa o outro para o parceiro, sem vantagem é claro. O Genuíno era terrível, e, muitas das vezes, sentava na arquibancada, entrava no bolo e no intervalo do jogo, geralmente um amistoso do Miracema FC, descia para o vestiário e se oferecia ao Polaca para entrar na partida.

Claro que o Jair aceitava, afinal era o grande craque da cidade e um artilheiro de qualidade indiscutível. Acontece, meu amigo Zé Maria, que o Genuíno só entrava na partida se fosse na vaga daquele cujo o número saiu com ele no sorteio do pontapé, ou bolo como queira. E no fim sempre vencia, pois o faro de gol do cara era realmente incrível.

Certa vez, na década de 60, o Esportivo jogava contra o Esperança, de Friburgo, e este escriba estava com a 11 titular e no ataque amarelinho tinha, além deste que vos fala, o Thiara (7), Cacá (9), Júlio (8) e Arani (10) e o Genuca tentou dar o mesmo golpe.

Foi ao vestiário, no intervalo, pediu ao Jaci para entrar e disse que o Seu Gérson deu ordem. O Jaci agradeceu e falou que precisava virar o jogo perdíamos por 2x1, e deu a ele a 18 e falou para ele entrar no lugar do Vagner, na lateral esquerda.

“Entra lá no lugar do Vagner fale com o Gilson para jogar na lateral e faça com que o Arani jogue um pouco mais recuado, de volante. Você, Adilson e Cacá jogarão sempre na frente”, explicou pacientemente o Jaci Lopes, nosso treinador.

Genuíno pensou bastante e depois de dois minutos parado, escutando as instruções do Jaci, decidiu voltar para as arquibancadas e começou a gritar pelo meu nome, me incentivando e mandando todos os companheiros me encherem de bola a todo momento.

Ninguém entendia nada, mas eu dava gargalhadas junto com os moleques do Esportivo ouvindo o frustrado Genuíno gritando meu nome, afinal o papelzinho que ele estava nas mãos tinha o número 11 e o tal número naquela tarde era meu e por isto ele queria o meu lugar no início do segundo tempo.

O Jaci acreditou na turma e viramos novamente a partida e chegamos aos 3x2 com gols de... Não, eu não marquei, entrei sozinho na área e toquei de lado para a chegada do Cacá, para desespero do Genuíno, que teve que ver o Sebastião Amaral levar prá casa o tal bolo de linha.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

QUARENTA ANOS DEPOIS

Na terça-feira fui premiado com um reencontro espetacular. Após a caminhada diária, já pertinho do Arisão, parei na farmácia para um dedo de prosa com o Rogério, que parado na calçada se refrescava sob a brisa que soprava na Rua do Gás. Papo rápido, para não atrapalhar na reta de chegada, e para minha surpresa um tapinha nas costas e uma pergunta:

- Está me reconhecendo?
- Me perdoe, não estou me lembrando.
- Sou Luciano Mercante
Bom, daí prá frente um forte abraço, um punhado de prosa e um baú de histórias foi aberto ali mesmo, em frente a Farma Goyta, ao lado do Arisão.

Luciano foi um dos bons amigos de infância e adolescência, filho do saudoso Humberto Mercante, o Noca, irmão do professor José Márcio Mercante, que por longos anos mostra seu conhecimento sobre matemática e física no Liceu e na Escola Técnica Federal de Campos.

Passeamos sobre o passado e falamos sobre os longos anos em que ficamos separados, eu disse que foram quarenta anos, mas o Nê, como o Luciano era chamado lá na terrinha, diz que são apenas trinta e cinco anos. Apenas trinta e cinco anos, meu caro Luciano? O importante é que voltamos a nos ver e, como ele está aqui pertinho do meu apartamento, é possível que daqui prá frente possamos falar mais sobre as nossas famílias, os nossos momentos em Miracema, as peladas e os grandes desafios que nos eram impostos pelos irmãos mais velhos do cara.

Aos amigos, leitores deste Papo de Bola, peço perdão por jogar minha intimidade prá vocês, porém, tem sempre um porém, todos vocês já tiveram esta alegria, rever um grande amigo após longos anos, e nada melhor do que botar pra fora toda emoção de um reencontro. Valeu.

LEMBRANDO HERIVELTON MARTINS

Ainda vivendo as emoções da série da Globo, Dalva e Herivelto, que narra a história de amor deste casal de artistas, fui buscar no meu baú de músicas as canções de Herivelto Martins, o marido de Dalva de Oliveira e pai de Pery Ribeiro, as letras, que podem justificar este início de ano para muitos clubes brasileiros, e, principalmente, os nossos - Americano e Goytacaz - que parecem viver a mesma história de amor e ódio do casal que criou o fabuloso Trio de Ouro.

Os dirigentes alvianis buscam reforços, mas não encontram nomes disponíveis no mercado ou, creio que esta é a melhor hipótese, não há grana disponível nos cofres para estas aquisições. “Parto a procura de alguém ou a procura de nada, vou indo caminhando sem saber onde chegar, quem sabe na volta te encontre no mesmo lugar”.

E a torcida, que fica a espera de dias melhores, parece cantar com o grande Herivelto: “Não, eu não posso lembrar que te amei, não eu preciso esquecer que sofri. Faça de conta que o tempo passou e que tudo entre nós terminou...” Bem, acho que aí vai um exagero, na fiel torcida alvianil ninguém quer colocar fim ao romance, mas que tem gente fugindo, isto tem.

E o torcedor alvinegro, que ainda vive daqueles momentos felizes do enea e dos timaços que se montavam no Parque Tamandaré. Os dirigentes, cansados do assédio de torcedores, que clamam por um time mais forte, cantam assim: “Seu mal é comentar o passado. Ninguém precisa saber o que houve entre nós dois, o peixe é pro fundo das redes segredo é prá quatro paredes”.

E aquele craque, fenomenal e gordinho, que ainda está por aí esbanjando talento e classe, ao ouvir as histórias do ano que passou diz: “Não fale daquela mulher perto de mim”, mas será que é da mulher que o artilheiro quer esquecer? Tenho dúvida.

Herivelto foi um grande compositor, apaixonado por várias mulheres, tal qual os craques de hoje, que vestem várias camisas e beijam escudos como prova de amor, o artista amou muitas mulheres e deixou marcas no coração de cada uma, como Love, o Vagner, que também amou bastante quando jovem e fez jus ao apelido de Artilheiro do Amor.

E a torcida do Palmeiras, lamentando a sua saída, ofendeu o atacante, que respondeu cantando Herivelto Martins: “Que diferença vai fazer na minha vida, mais uma briga, mais um desgosto, que diferença vai fazer na minha dor...”

Planos, muitos planos. Sonhos, muitos sonhos. E Adriano, o Imperador, não pode brincar o carnaval. A diretoria do Flamengo emitiu nota oficial, exclusiva para os jogadores, dizendo que os dias de folia serão de muito trabalho, afinal o Carioca estará em pleno andamento.

E o camisa dez da Gávea mandou: “Que rei sou eu, sem reinado e sem coroa, sem castelo e sem rainha. Afinal que rei sou eu?” Se fosse aquele outro artilheiro eu até ousaria dizer que seria um Rei Momo, mas o Imperador está mais prá He-Man.

E Edilson, o Capetinha, que resolveu voltar as canchas, animado com tantos ex-jogadores em atividade, também botou o bloco na rua e gritou, já vestindo a camisa tricolor do Bahia: “Vem, vem em busca da Bahia, cidade da tentação, onde o meu feitiço impera. Bahia, Bahia, Bahia!

E por lá ele terá a companhia de Renato Gaúcho, agora treinador do Tricolor de Aço e parceiro de fé do Capetinha. Vai dar samba?

E o presidente do Goytacaz, preocupado com o recado da torcida, que promete abandonar o barco: “Será que ela ainda lembra do compromisso que tem ou será que ela agora deixou de querer bem?”.

Aí está, em forma de canção os protestos bem humorados dos torcedores e craques deste nosso fabuloso esporte bretão. Bom domingo prá todos.

TOQUE DO SILÊNCIO, TEMA DE LARA E OUTRAS SAUDADES

Hoje o meu bom e querido amigo Renato Mercante, me enviou um e-mail com um anexo bem interessante e que me remeteu, como ele mesmo narra, a aurora de nossas vidas. Abri imediatamente, pois no texto o Renato fazia um comentário sobre a intérprete e a orquestra acompanhante, o fabuloso André Rieu. A curiosidade de ver alguém executando o “Toque do Silêncio” era bem maior do que qualquer coisa que me propusesse a fazer naquele momento.

“Como você muito bem sabe, Il Silenzio, (o Toque do Silêncio, como chamamos aqui no Brasil) é universal. Segundo me informei, em quase todas as forças armadas do mundo ele é o mesmo. Ele é tocado todas as noites, às 22 h, e em solenidades fúnebres de militares. As modulações podem variar. Nessa apresentação, ele é tocado por completo. É um toque lúgubre, mas, muito bonito”, disse-me Renato Mercante.

Eu já havia passado por este filmete, algum amigo havia me mandado, mas não abri temendo ser algum vírus ou por não ter curiosidade suficiente para tal. Não sei se foi naquele período em que emoções eram proibidas, mas o certo é que hoje fui surpreendido por uma guria espetacular, que sopra o piston como gente grande.

Isto me fez voltar o tempo e me ver nas ruas de Miracema, com um pedaço de borracha, improvisando um instrumento. Em uma ponta um esguicho de pia, que servia de bocal, e um funil, em outra ponta, tentando ampliar o som que eu fazia com aquele instrumento criado por mim.

As nossas serenatas no jardim, as esperas pelo início dos ensaios da Banda Sete, as reuniões da Banda Marcial do Colégio Miracemense, tudo isto passou pela minha cabeça e pela minha memória. Me vi ao lado do velho amigo Cagiano, que também é Adilson, preparando toques inéditos ou refazendo os já conhecidos, para que os jovens do colégio conhecessem e executassem nos desfiles em todas as cidades para onde a banda era convidada a se exibir.

Em um momento eu ouvi a voz do Mauro Cruz, o filho dos professores Manoel Soutinho e Maria do Carmo, que, sempre ao nosso lado, dava pitacos sobre o que tocar e como andava nossa audiência junto aos alunos e diretores do colégio. Os cornetões não tinham sons maviosos, serviam apenas para contracantos, e quando precisávamos de um voluntário, para testar novos toques, lá estava o Mauro, sempre atendo e disposto a colaborar.

Renato, e o “Tema de Lara”? Não vou me fazer de grande ou de importante, mas creio ter sido um dos primeiros a levar a música para o ritmo de dobrado e levá-la para as ruas como ritmo de marcha/dobrado. O arranjo do Cagiano, para as caixas, tambores e taróis foram perfeitos e a música faz sucesso até hoje nos desfiles cívico-escolares.

Nos carnavais de rua, hoje não são mais os mesmos, eu não podia fazer o que mais gostava, sair às ruas como um mascarado comum e não ser reconhecido. Tinha a praga, no bom sentido é claro, do piston que me acompanhava e me deixava vulnerável neste sentido. A turma do Colégio Nossa Senhora das Graças, liderada pelo Gilson e Zé Maria, saia como um bando de palhaços e, acredite Renato, o único a ser reconhecido era este seu amigo aqui, por que? Claro, pelo instrumento que já estava ligado a este hoje velho contador de causos e histórias.

Tudo é saudade. O Zé Luiz, nosso amigo Categoria, diz que vivo de saudades. Não, eu concordo com a Cintia, que um dia me disse: “Adilson, você não tem saudades do passado, você gosta de falar daquilo que te fez viver intensamente”. Correto, se isto é ter saudades este piston, este Toque do Silêncio, este Tema de Lara e estes belos carnavais de rua, sempre terão um lugar reservado na memória e neste peito rasgado e apaixonado pelas coisas de nossa terra.